JOGADORES CONFIANTES JOGAM UM MELHOR FUTEBOL




Autoconfiança: toda a gente sabe que não conseguimos ter sucesso sem ela, quer seja na tua vida pessoal, no trabalho ou num campo de futebol.
Quer como jogadores ou treinadores, todos já experimentamos o efeito poderoso que a confiança pode exercer na nossa performance durante um jogo.

Autoconhecimento e autoconfiança

Autoconhecimento é a resposta para a nossa pergunta “Quem sou eu?” É uma imagem própria formada pela nossa educação enquanto crianças e pela nossa experiência de vida. Autoconfiança, por outro lado, tem mais a ver com a avaliação das nossas capacidades numa situação particular. Pode ser vista como uma atitude emocional para connosco. É baseada em experiências passadas, e a sua estabilidade é profundamente influenciada pelo autoconhecimento geral.

A autoconfiança não está permanentemente instalada em nós ou nos nossos jogadores, porque podemos obtê-la por ganhar hoje e perde-la amanha. No entanto nem todos os jogadores estão sujeitos a estas oscilações, tendo o autoconhecimento um papel importante neste aspecto.
Uma pessoa com um forte autoconhecimento de si própria possui a capacidade para encontrar soluções satisfatórias, mesmo em situações desconhecidas e difíceis. Quando dizemos “eu sou um bom jogador”, isto não tem nada a ver com um particular oponente, posição ou situação de jogo.

Criando e fortalecendo a autoconfiança

Estes factores constroem e fortalecem a autoconfiança:
  • Boa condição física;
  • Encorajamento, elogios;
  • Eventos passados, experiências positivas;
  • Experiências simbólicas;
  • Atitude positiva;
  • Resposta às pressões das expectativas;
  • Auto-sugestão, autoconversa;
  • Comentários positivos do treinador,
  • Treino mental.
  • Suporte social.

Boa condição física;

Estar em forma é um dos requisitos para a autoconfiança e motivação. Para a maioria dos jogadores, estar fora de forma é um fardo, desestabiliza a atitude acerca deles próprios e provoca nos jogadores mais incerteza acerca do seu sucesso.


Encorajamento, elogios;

Encorajamento é muito necessário quando faltam experiências positivas e emoções negativas tais como resignação e frustração aparecem. Nestes casos até o mínimo encorajamento pode ter um efeito poderoso. A nossa escolha de palavras joga aqui um papel importante. O encorajamento deve ser concreto com o objectivo de restabelecer no jogador o senso das suas capacidades. “Hoje mostraste que melhoraste os teus conhecimentos e habilidades, e que os poderás usar da melhor maneira numa situação real de jogo. Deves estar orgulhoso disso”.

Os elogios devem estar estreitamente ligados à realidade e às experiências positivas que são efectuadas durante as sessões de treino. Mas existe o reverso da medalha no que diz respeito aos elogias. Por exemplo, assim que um jogador se apercebe que o treinador tem expectativas que ele próprio não consegue atingir, ele pode desenvolver o medo de errar.


Como elogiar com efectividade:
  • Elogiar mais vezes no inicio do processo do que mais tarde.
  • Elogiar acções específicas.
  • Quanto mais depressa o elogio, mais poderoso será o seu efeito: “isso mesmo”, “continua assim”.

Devemos então evitar as seguintes afirmações:

  • “Boa…mas”
  • Criticar a pessoa, não a acção”
  • “Se…então”

Três grandes erros que enfraquecem a autoconfiança em vez de a fortalecer são:

“Boa…mas…!”
Estas afirmações são normalmente bem intencionadas, mas elas podem aumentar as duvidas porque na cabeça do jogador, elas negam ou desvalorizam o elogio. Por exemplo: “Bom trabalho no drible sobre os adversários, mas o teu passe já não foi tão bom”.

Melhor:
Em vez disso separar o elogio positivo da declaração negativa, e o passado do futuro; “Bom drible – fizeste um bom trabalho!” Isto vai reforçar o que de bom fez o jogador. Depois, mais tarde, posso apontar o erro que ele cometeu: “temos que melhorar o teu passe, porque temos aqui muita margem para melhorar.”

“Pára com a brincadeira!”
Num exercício de técnica, o jogador tenta mas falha várias vezes. A reacção do Treinador é de critica destrutiva: “Pára de brincar! Não prestaste atenção quando te mostrei como se fazia?
O jogador percebe esta declaração como um julgamento à sua personalidade: “És obviamente incompetente!” ou “Tu simplesmente não percebes!”

Melhor:
“Deixa-me mostrar-te outra vez. Toma atenção a esta finta de corpo” O treinador corrige a execução, e o jogador sabe exactamente o que tem de trabalhar para melhorar. Ele toma consciência dos seus progressos, o que lhe aumenta a autoconfiança.

“Se…então…!”
“Se jogadores bem hoje, vais estar no próximo jogo também”. Este tipo de declaração condicional pode provocar medo inconsciente. A mente consciente diz “Eu vou faze-lo!” O inconsciente diz, “E se eu não o fizer?”
Uma tarefa que não é aceite pelo inconsciente vai criar uma oposição interna, o que pode levar à hesitação.

Melhor:
Não colocar condições para os comportamentos desejados: “Sabes o que tens de fazer. Tens alguma pergunta ou problema que achas que devemos discutir?”

Eventos passados e experiências positivas

A autoconfiança é em grande medida o resultado de experiências positivas. Por isso teremos que considerar os efeitos que os nossos exercícios irão produzir.
As actividades a desenvolver no treino devem incluir os seguintes aspectos:
  • Aplicação de princípios de jogo em situações de treino, por exemplo com a equipa que está em situação atacante em superioridade numérica;
  • Independente experimentação com várias possibilidades em situações de jogo não estruturadas e.g. criando várias opções de passe.

Se libertarmos os jogadores da autoridade dominante do treinador desta forma, vamos ajuda-los a terem consciência das suas habilidades para tomarem decisões por eles próprios.
Por colocarem em ordem e por estruturarem as suas próprias experiências positivas, os jogadores vão melhorar o conhecimento das suas próprias capacidades.
Experiências positivas são também criadas quando tarefas difíceis são percebidas como sendo desafiadoras. Será que os meus jogadores têm a capacidade e o autoconhecimento ou confiança que precisam para defrontar um adversário difícil. Se uma tarefa provoca nervos nos jogadores eles vão jogar pelo seguro evitando riscos em vez de arriscarem e tentarem o golo.

Experiências simbólicas

Se eles conseguem fazer, também eu consigo. Comparar as minhas habilidades com as dos outros leva a conclusões sobre a melhor forma de actuar numa situação idêntica. Este método de construir confiança funciona bem na preparação de jogos.

A correcta atitude

O tremo “atitude” joga um papel muito importante no futebol actual. Ouvimos muitas vezes que um jogador ou uma equipa tem uma atitude que está “orientada para a defesa”, ou uma atitude que está “orientada para o ataque”, “agressiva”, “nervosa” ou “errada”.

Atitude conduz o comportamento, mesmo quando os jogadores não têm essa consciência. No entanto, eles podem tomar consciência dessa atitude a qualquer momento. 
Um jogador orientado para o ataque aproveita todas as oportunidades que tem para marcar golo, enquanto que um jogador orientado para a defesa concentra-se em manter os adversários a zero. Uma atitude estável é aquela que está centrada no objectivo último (ganhar). Conhecimento do objectivo permite que os jogadores se concentrem completamente no jogo não lhes permite sequer subestimar um adversário menos poderoso.


A atitude para connosco próprios…
…e para com a nosso própria capacidade que deve ser sempre positiva. Em particular, a avaliação de si mesmo nunca deve estar dependente daquilo que fazem no dia do jogo. É por isso que as performances dos jogos são pontos instáveis de avaliação. Alguns ganhamos, outros perdemos. Nunca devemos ficar demasiado excitados quando ganhamos, nem nos devemos condenar muito quando perdemos. É muito mais inteligente avaliar o que esteve mal e usar as derrotas como oportunidades para aprender. Aqueles que perdem muito tempo a analisar os seus erros facilmente perdem a autoconfiança.

A atitude para com o nosso adversário…
…tem uma grande influencia na confiança dos jogadores e na forma como eles encaram as suas capacidades.
Subestimar um adversário tende a criar uma falsa confiança. Os jogadores concentram-se menos, dar os 100% parece não ser necessário. Se o adversário jogar melhor que o habitual, a nossa equipa não vai conseguir reajustar-se a tempo.
Subestimar o adversário faz diminuir a autoconfiança. Os jogadores tornam-se menos agressivos e deixam muitas vezes que o adversário controlo o jogo.
Para ir para um jogo com a atitude certa em relação aos nossos adversários, o treinador deve focalizar-se sobre os aspectos positivos do adversário (“Carlos é rápido; não deixes que ele chegue à bola 1º que tu”), as suas fraquezas e as suas características. Jogadores inseguros precisam de saber contra quem é que vão jogar e o que devem fazer.
Instruções vagas são prejudiciais “não deixes que o Carlos se afaste de ti, “tira vantagem do António ser fraco na defesa”. Comentários deste género aumentam a insegurança de jogadores já inseguros, porque eles vão ter de descobrir por eles próprios o que fazer.


Lidar com as expectativas

Imaginação, autoconfiança e vontade de correr riscos, são características que podem ser melhor desenvolvidas quando a liberdade de escolha dos jogadores não está condicionada por influências exteriores. Quando os jogadores estão a actuar para benefício de outra pessoa, e.g. para treinadores, directores, ou espectadores, eles ficam com sentimentos de culpa e obrigação que podem ajudar a que eles joguem mal.

 
Os jogadores menos experientes com menos autoconfiança, tendem a ficar muito nervosos com as expectativas dos outros. O sentimento de “eu tenho” coloca-os na defensiva, o que impede a equipa a ter um pensamento orientado para o ataque: eles ficam mais envolvidos com eles próprios e com os seus medos do que com a tarefa em mãos.


Por isso devo evitar palavras tais como “não deves” ou “deves”.





Autoconversa e auto-sugestão


Comentários positivos do treinador

Como regra geral os comentários do treinador devem ser formulados em termos de objectivos específicos, dando motivação aos jogadores e sentido à acção para que eles possam depois converter nas acções de jogo.
É importante evitar declarações negativas e instruções complicadas.

Treino mental e visualização

É uma forma de os jogadores se prepararem para situações específicas de jogo, tais como lances de bola parada, cabeceamentos, cruzamentos etc. Treinando a capacidade de visualizar, os jogadores conseguem de forma instantânea recordar cenas de jogos ou de treinos enquanto estão em competição. E as imagens mentais conseguem libertar fortes emoções que as palavras não conseguem.

Suporte social

O apoio é muito importante especialmente para aqueles jogadores que estão a tentar reconstruir a sua confiança.


É mais fácil acreditar em nós próprios quando não somos os únicos!

 
 

Nada é mais problemático para um jogador do que o sentimento de que o seu treinador e companheiros deixaram de acreditar nas suas potencialidades como jogador.

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