“QUE BARULHO É AQUELE QUE VEM DE FORA DAS 4 LINHAS”



(Barulho dos adultos fora das 4 linhas) “Chuta a bola! Passa a bola! Vamos João; por amor de Deus chuta a bola! (o jovem de 10 anos tenta passar a bola para o seu colega mais próximo, mas em vez disso, procura o drible e perde a bola pela linha lateral. O Pai do rapaz está agora a gritar.) João o que é que se passa contigo? És estúpido? Eu disse para chutares à baliza! Faz como te ensinei! Não sejas preguiçoso! Mexe-me esse rabo e vai recuperar a bola! (O rapaz olha para o seu pai antes de correr atrás da bola para a tentar recuperar. Uns minutos depois um adversário rouba a bola de forma limpa ao João. O árbitro nada assinala e o pai do João explode de raiva. “És cego ou que? Não marcas falta? Como é possível não teres visto a falta? É uma falta para cartão amarelo. O árbitro dirige-se ao pai do João e pede-lhe para ter calma. O pai do João não recua. “Eu não estaria aqui a queixar-me se tu fizesses o teu trabalho. O árbitro olha para o Homem e avisa-o para manter a sua boca calada, senão vai ser obrigado a pedir que saia do recinto do jogo.  
Ficou tudo em silencio.  O João e um grande número de jogadores de ambas as equipas pararam para ver a altercação. O João parecia que estava a chorar envergonhado tentando passar despercebido.
Em teoria o futebol é um desporto divertido, organizado para os miúdos e jogado por miúdos. O seu objectivo é o de ensinar habilidades técnicas, tácticas e o amor pela actividade desportiva. Adicionalmente e nas mãos de adultos com capacidades para tal, o futebol fornece aos seus jovens praticantes um conjunto alargado de valores e experiencias de vida, tais como o trabalho árduo como um veiculo para o sucesso da equipa, camaradagem, competição saudável, conseguir ultrapassar as dificuldades e os fracassos, tudo isso com o objectivo de construir auto-confiança e deixar que a criança se sinta melhor acerca dela própria.
Infelizmente e ao contrário do cenário descrito acima, a realidade é muito diferente. Adultos equivocados, distraem as crianças daquilo que realmente interessa e no processo acabam por matar o seu prazer pelo desporto.
Pais como o do João que ficam demasiado tensos durante um jogo, que pressionam os seus  filhos, que são demasiado críticos e exigentes quando cometem erros, colocam em perigo a relação pai-filho e aumentam a probabilidade para que a sua criança abandone a prática desportiva.
Não existem dúvidas que a maioria dos pais têm boas intenções e querem que os seus filhos sejam felizes e que tenham sucesso. Para conseguirem atingir estas metas os pais estão dispostos a sacrificar o seu tempo, a sua energia e os seus recursos financeiros, proporcionando-lhes até treinos suplementares, voluntariando-se para ajudar os clubes como diretores e dispensando inúmeras horas na linha lateral em torneio e campeonatos.
Infelizmente, muitos pais não sabem o que fazer e o que não fazer para ajudar os seus educandos. Apesar de terem intenções positivas e de terem em atenção o melhor dos interesses estes pais fazem e dizem coisas antes, durante e depois dos jogos que acabam por distrair a criança de se focar completamente no seu jogo, aumentando a ansiedade e como consequência sabotar o seu nível de jogo.
Então como devia ser desempenhado o papel de um pai? Primeiro devia ser o fã nº1 do seu filho. Devem os pais ser apoiantes incondicionais. Se o seu filho está a ter um jogo menos bom, então os pais deviam ser compreensivos e mostrar todo o seu amor por eles, muito mais do que nas situações em que estão a ter sucesso. Os pais em caso de derrota devem ser positivos e ter muita compaixão. Fornecer feedbacks sobre o que foi feito de errado ou expressar o seu desapontamento não é o que a sua criança precisa e apenas vai servir para piorar a situação.
Apoiar e mostrar o seu afecto não quer dizer que os pais devem fazer o papel dos treinadores fora das 4 linhas. Aliás o pior que um pai ou mãe podem fazer é estar do lado de fora a dar instruções.
Criticar depois de um jogo é outro exemplo da possível destruição da relação parental.
Entenda que você não está a ajudar quando tenta treinar o seu filho desde a bancada. Não vai conseguir que ele ou ela joguem melhor. Você não está com essa atitude a motivá-los. Bem pelo contrário. Treinar e criticar desde a bancada vai distrair a criança, aumentando o seu nervosismo, diminuindo o seu gosto pelo jogo e pelo desporto e como consequência o que vai acontecer serão cada vez piores performances.
Os pais devem ter um comportamento que possa orgulhar os seus filhos.
Todos os pais devem ter uma perspetiva correta de que um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol e essa atitude deve ser transmitida aos seus filhos através dos seus comportamentos.

Lembrem-se que o futebol é um excelente veiculo para ensinar às crianças valiosas lições de vida. Faça a sua parte e assegure que essas lições sejam construtivas e positivas.

Comentários

  1. Vários artigos sobre este tema.
    https://www.facebook.com/vitorsantos1967/

    Parabéns pela abordagem João Ribeiro

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    1. Obrigado Senhor Vitor Santos. Apenas uma correcção, o meu nome é José Ribeiro. Abraço.

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  2. Excelente post. Infelizmente a descrição é bem mais real do que se possa pensar.

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  3. Tudo isto é muito bonito de dizer e fazer,mas quando existem treinadores que em vez de treinar os seus jogadores e saber dar-lhes todas as taticas de jogo não o fazem,bem assim como nos dias dos jogos em vez de orientarem os seus jogadores para que tenham sucesso,remete-se ao silêncio e no fim do jogo ainda sabem recriminar em vez de assumir a sua culpa e procurar fazer melhor o seu trabalho,bem assim como nos jogos existem árbitos que quando deveriam estar em campo a cumprir o seu dever com sentido de responsabilidade e não o fazem recorrendo á corrupção favorecendo por vezes as equipas que por uma razão alheia porque já são pagos com montantes acima do que o seria feito pelo seu trabalho normal por jogo,mas ainda assim aceitam outros montantes que os clubes lhes oferecem indevidamente para prejudicarem as equipas contrarias ao qual lhe s foi indicado para o fazerem!POR ESTAS COISAS E MUITO MAIS JAMAIS ME CALAREI FORA DAS 4 LINHAS SENDO EU MÃE DE UM JOGADOR JUVENIL PARA AJUDAR O MEU FILHO E A SUA EQUIPA A TEREM SUCESSO JÁ QUE QUEM O DEVERIA FAZER NÃO O FAZ E SÓ ME CALAREI NO DIA QUE HOUVER JUSTIÇA E HONESTIDADE NO FUTEBOL!

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  4. Infelizmente o futebol devia ser um desporto como os outros... sendo um desporto coletivo poderia trazer valores fundamentais para o desenvolvimento da criança mas não o consegue não pelo desporto em si mas sim pelo contexto de tudo o que está para além das 4 linhas. Já presenciei bem pior do que descrito neste excelente artigo e só assim percebo a razão a presença obrigatória da polícia desde cedo.
    Poderei ser suspeito pois sou desde sempre apaixonado pelo rugby mas é fácil perceber a diferença basta ir ver o modelo de convívios para a escolas do rugby,a postura de todos, árbitros, crianças, país, técnicos.... mas importa referir que para além do desporto somos todos vizinhos... os miúdos andam na mesma escola... colegas de profissão... Ou seja na mesma sociedade obtemos comportamentos totalmente opostos, obviamente existem exceções mas é uma boa reflexão que todos podem fazer... porque mais importante que nos preocuparmos com A HONESTIDADE E JUSTIÇA NO FUTEBOL ou no rugby é nos preocuparmos como o desporto poderá ajudar os jovens a crescer e contribuírem para uma sociedade melhor e mais justa!

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