ANÁLISE, OBSERVAÇÃO E INTERPRETAÇÃO: TOTTENHAM X DORTMUND






A fase de grupos da UEFA Champions League vai deixar os espectadores pregados ao sofá, com a realização de grandes jogos de futebol entre as melhores equipas da Europa. Entre esses jogos vão constar, com certeza os do grupo H, com as equipa do Real Madrid, Tottenham, Borrusia Dortmund e o outsider Apoel.
Analisamos o jogo entre os Ingleses do Tottenham contra os Alemães do Borrusia Dortmund.

Estamos perante duas equipas que apresentam estruturas organizacionais muito diferentes. Mauricio Pochettino, treinador Argentino da equipa Londrina do Tottenham, coloca actualmente a sua equipa a jogar em 1-5-3-2 em organização defensiva, já o treinador do Borrusia Dortmund, o Holandês Peter Bosz, estrutura a sua equipa, num muito usual 1-4-1-1. 

 

Em ambos os casos o método defensivo usado é a zona pressing, com a equipa do Tottenham a optar por um bloco defensivo médio/baixo e a equipa do Dortmund a apresentar um bloco médio/alto.  


A grande preocupação do Tottenham é fechar como equipa os espaços mais valiosos (os espaços próximos da bola, os espaços centrais) e, assim, colocar a equipa adversária sobre constante constrangimentos, nas zonas que lhes são mais favoráveis. Manter a equipa compacta, do ponto de vista zonal, em largura e em profundidade.
É de salientar que nas duas equipas todos os jogadores defendem e contribuem de maneira decisiva para a reconquista da bola, através de um bloco compacto e de uma correta definição de linhas.
A posição da bola e em função desta, a posição dos companheiros são as grandes referências de posicionamento das duas equipas. Um ajustado dinamismo zonal é referencia para que ambas as equipas consigam obter e manter uma superioridade numérica, nos espaços vitais de jogo.


Peter Bosz tem como principio de jogo, a recuperação da bola num curto espaço de tempo independentemente do local onde esta se encontra.
O bloco defensivo posiciona-se bem dentro do meio campo adversário, se este procura jogar por trás. A ação de Aubameyang é sempre muito agressiva, assim como é agressiva a 1º linha de cobertura, que marca espaços e adversários que possam dar continuidade à saída de bola da zona de pressão. Como vemos na imagem 4 ainda surge uma segunda linha de pressão com Douha e Sahin a equilibrar e a ocupar espaços com a subida dos 4 elementos mais ofensivos.

Quando a equipa do Dortmund recupera a posse e tendo superioridade numérica e posicional, a primeira opção é o passe seguro e curto, retirando de seguida a bola da zona de pressão adversária.  Conseguem criar espaços para que a bola saia em segurança, abrindo os laterais sobre os corredores e com Kagawa aproveitando os espaços livres entre linhas. O objectivo é claro, entrar em organização ofensiva para depois atacar a baliza adversária. 


 
Neste aspecto do jogo a opção adoptada por Mauricio Pochettino foi bem diferente, já que a equipa posicionava-se na maioria do tempo de jogo em bloco médio/baixo. Ganhando a bola em zonas recuadas o passe geralmente era longo, para que Kane a segura-se e a liga-se de seguida principalmente com Son.
Se a bola era ganha numa zona intermédia, o 1º passe era curto e seguro para retirar a bola da forte pressão adversária, com Kane como referência, com os dois laterais a projectarem-se de imediato e Son na procura constante da profundidade.  


No momento de organização ofensiva, observamos que o Tottenham posiciona-se em 1-3-4-2-1. Com uma saída a 3 por força da utilização de 3 centrais, os laterais estão projetados em largura e profundidade para fazer campo grande. Existe como vemos na imagem 7 a preocupação dos jogadores se afastarem para que sejam criadas condições de espaço com a bola a ser circulada de forma segura e rápida. Os diferentes sectores da equipa estão dispostos de forma equilibrada, com uma correta ocupação de linhas e com o espaço de jogo a ser ocupado de forma racional. 


A equipa do Dortmund posiciona-se em 1-2-4-3-1, com os laterais abertos sobre os corredores e na linha dos dois médios (Dahou e Sahin), que dão apoio por dentro sempre que a bola entra no corredor. Os dois extremos têm comportamentos ligeiramente diferentes. Yarmolenko é um jogador mais de linha, enquanto que Pulisik procura em muitas ocasiões os espaços interiores, para receber e desequilibrar, ou para criar espaço para as entradas do lateral Toljan. Kagawa é o jogador do meio campo que se posiciona mais alto no terreno de jogo, procurando os espaços vazios entre as linhas defensivas e de meio campo do adversário, e desloca-se para zonas mais exteriores, formando triângulos ofensivos com os extremos e laterais da sua equipa. É igualmente um jogador que tem facilidade em entrar na área para finalizar.  


Numa 1ª fase de construção os dois médios baixam para dar apoio na saída de bola e na nossa opinião, procurar que a linha defensiva dos adversários suba para depois procurar os espaços na profundidade. 


Numa 2ª fase de construção os laterais do Dortmund projectam-se na linha dos médios  em largura e profundidade, com os extremos a procurar espaços interiores (Pulisic mais interior que Yarmolenko) e preparados para aproveitar os espaços em profundidade. Kagawa é um jogador muito inteligente na procura dos espaços livres e na ligação que estabelece com Aubameyang. 



O jogo da equipa do Tottenham nesta fase é baseado em movimentos rápidos da bola e dos jogadores. Numa equipa que joga em 1-3-5-2 são os laterais que dão profundidade e largura à equipa. Assim que a bola entra no corredor começam os movimentos em profundidade principalmente de Son e Eriksen. Dembele e Dier são neste momento jogadores equilibradores, sempre preparados para a perda de bola. 


No momento de transição defensiva foi a equipa do Tottenham que manteve sempre um maior equilíbrio posicional, que lhe permitiu usufruir de um bloco compacto atrás da linha da bola e desta forma não sofrer transições ofensivas do adversário, que pudessem por  em perigo a sua baliza. Já o mesmo não podemos afirmar da equipa do Dortmund. Com um futebol muito ofensivo, colocando sempre 7,8 jogadores na linha da bola ou à frente da linha da bola, colocando poucos jogadores em zonas de cobertura e equilíbrio defensivo, foi permitindo à equipa de Pochettino, muitas situações de ataque rápido que originaram várias oportunidade de golo. 



























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