JULIAN NAGELSMANN - O Treinador com cara de menino – Parte I



Julian Nagelsmann,  é o treinador mais jovem da Busdesliga, que ainda tem idade para usar o cartão jovem, mas já é muito rodado. Em entrevista ao site spox.com disse, que as táticas são sobrevalorizadas. “É uma questão de 5 ou 10 metros estares a jogar em 4-4-2 ou 4-3-2-1”, sublinhou o homem que diz que isto de ser treinador é “30% tática e 70% competências sociais”. Não há nada como adaptar-se às circunstâncias: desde que Nagelsmann chegou ao Hoffenheim que a equipa não tem uma tática definida. Jogar em 4-2-3-1 e no encontro seguinte em 5-4-1? Nagelsmann já o fez.
No vocabulário de Nagelsmann, a palavra mais importante é “pressão”: mais do que jogar bem, o que o técnico exigiu aos jogadores mal chegou foi que anulassem o adversário, pressionando o portador da bola, cortando linhas de passe, controlando os espaços.

“Dou muita importância ao nosso comportamento quando não temos a posse. No futebol de hoje precisas das duas coisas: soluções quando tens a bola e quando não a tens”.

Quem pertence ao mundo do futebol de uma forma mais profissional ou menos profissional, sabe como é difícil desligarmos completamente durante as férias, já que as tarefas a realizar são sempre muitas e variadas. É uma fase da época que considero fundamental para o sucesso das equipas. Determinar quais os conteúdos de treino a abordar, das estratégias de ação, e da forma de estruturação de todo o processo operacional que engloba o treino e o jogo (preparação para a criação de um modelo de jogo) e fundamentalmente da escolha dos jogadores para esse modelo de jogo.

“Tive que interromper as férias várias vezes. Nas duas primeiras semanas estou nos Alpes, no entanto retorno ao clube durante uns dias para manter conversações sobre possíveis jogadores que podem chegar à equipa. Antes que se chegue a um compromisso quero saber os jogadores que vou ter”.
Pergunta: Depois destas duas temporadas notou que os jogadores têm mais interesse em jogar para si?
Julian Nagelsmann: “Os jogadores que decidiram estar connosco são os que formam neste momento o plantel. Não senti se era ou não por quererem treinar comigo. Agora considero que o treinador é uma peça importante na estrutura de uma equipa. Se um jogador tiver de decidir entre dois clubes da mesma competência, o treinador pode ser um ponto decisivo, mas em termos gerais as coisas decidem-se por causa da situação desportivas por questões financeiras. Nós temos muito claro que a nossa linha de trabalho não é para fazer grandes saltos, porque temos uma base de jogadores que cobram uma determinada remuneração já que não podemos pagar os ordenados que são praticados por certas equipas. Se fazes desequilibras toda a estrutura.” 
Pergunta: Também participa destes aspectos do clube como manager?
Julian Nagelsmann:”Não, as negociações salariais são realizadas por Alex Rosen, director desportivo, logo neste ponto a minha intervenção é reduzida. Seria complicado dizer quando mereciam ganhar os meus jogadores”.
Pergunta: O Hoffenheim é um clube modesto, no entanto a sua ideia de jogo está mais relacionada com os modelos de jogo de equipas grandes. É um idealista?
Julian Nagelsmann:”Pelo contrário. Defino-me como um realista e como realista tenho que ver o que posso fazer com o dinheiro que temos, num tempo limitado. Entendo um futebolista que sai para outro clube ganhar mais. No futebol acontece algo que é um paradoxo, e as pessoas esquecem-se que o futebol é uma profissão e o que cada um quer é ganhar mais dinheiro. Falamos de jovens que na grande maioria dos casos não tem grande formação, nem estudos e procuram o melhor durante a sua carreira de futebolista”. 
Tem sido muito divulgado pelos maiores especialistas em futebol, que para um determinado modelo de jogo, com determinadas ideias, os treinadores devem procurar os jogadores com certas características. Características essas que possam valorizar a ideia do treinador e o seu modelo ofensivo, defensivo e de transições. Para um treinador que queira adoptar uma organização estrutural em 1-5-3-2, concerteza que os jogadores que se posicionam sobre os corredores, devem ser jogadores, que para além de terem uma boa capacidade defensiva, devem também, ser bons do ponto de vista ofensivo. Vimos nestes últimos jogos da Argentina, Di Maria a jogar sobre o corredor esquerdo, com uma defesa de 3 centrais. Quando a equipa tinha a bola, funcionava como um extremo, a jogar sobre o corredor, no entanto quando a equipa perdia a bola e encontrava-se no seu terço defensivo, Di Maria funcionava como um lateral. Na hora de se escolher os jogadores devem estar presentes todas estas variáveis, bem como a possibilidade destes jogadores poderem actuar em mais que uma posição, como é o caso de Di Maria.
“Tínhamos previsto trazer jogadores com um determinado estilo porque queríamos continuar a jogar em 1-5-3-2. No entanto se consegues ter jogadores que podem adaptar-se a jogar em várias posições, não é necessário ter um plantel tão grande. Essa é a ideia que trabalhamos com as novas aquisições. Sempre que falamos com um jogador conversamos sobre essa ideia e se está aberto a jogar em novas posições”.
Pergunta: Este ano também a pré-temporada será diferente por terem que jogar a pré-eliminatória da Champions League. Mudaram a planificação nesse aspecto?
Julian Nagelsmann: Sem dúvida, não só a planificação da pré-temporada, mas também de toda a temporada, que será muito mais extensa. Vamos aproveitar as paragens nas competições para trabalhar os jogadores individualmente, no entanto começamos a pré-temporada com elementos tácticos um pouco mais cedo para que os jogadores tivessem uma ideia de jogo formada e o modelo de jogo, presentes nas suas memórias, para estas primeiras partidas”.
O que faz de nós melhores treinadores? Na minha opinião são os desafios constante e muitas ocasiões as mudanças que o futebol nos proporciona. Por comodismo ou medo do desconhecido, às vezes gostaríamos que as coisas não precisassem ser modificadas, mas a realidades do universo é que tudo está em constante mudança. Adaptarmo-nos o mais depressa possível a essas mudanças, fará de nós melhores treinadores, já que ficar agarrado ao passado é caminho e meio andado para o fracasso.
Com o acesso às pré-eliminatórias da Liga dos Campeões e agora com a fase de grupos de Liga Europa, a equipa do Hoffenheim, terá menos tempo para preparar os jogos. No entanto o jovem treinador não vê aí um grande problema, mas uma oportunidade para crescer.
“A nível pessoal será uma grande mudança, no entanto gosto muito do trabalho diário com a equipa e que se estudem muitas coisas durante os treinos. Por isso, vamos ter de trabalhar mais com os vídeos, para mostrar aos jogadores aquilo que pretendemos. Trataremos de criar as ações e processos táticos que podem acontecer durante os jogos e vincular esses processos à formação dos jogadores”.

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