MANCHESTER CITY - INTERVENÇÕES DEFENSIVAS DOS EXTREMOS


Guardiola na sua obsessão por ter a bola, não se limita, quando a perde, a ficar à espera pelo melhor momento para a recuperar, pelo contrário estabelece estratégias para forçar o erro do adversário.

No Barcelona e no Bayer Munique, os extremos eram os primeiros a procurar impedir qualquer ação ofensiva dos adversários, ou seja, a equipa sentia uma grande necessidade para impedir que o adversário tivesse tempo para conseguir estruturar o seu jogo do ponto de vista ofensivo. Em Manchester o objectivo mantém-se inalterável. 
Cada segunda sem a bola é uma ameaça para a identidade da equipa, pelo que voltar a recupera a posse de bola é algo que está nas entranhas da equipa. 
Neste trabalho de recuperar a posse de bola os extremos têm um papel essencial. Tanto é assim que o plano de jogo está condicionado pela atividade defensiva dos extremos. 
Sterling, Sané ou Bernardo Silva, junto com o avançado são os verdadeiros activadores de toda a estratégia defensiva para dificultar o processo ofensivo dos adversários. 
Pep está na vanguarda procurando novas formas defensivas que multipliquem as dificuldades dos adversários do ponto de vista ofensivo. O objectivo de Pep Guardiola é romper com a lógica ofensiva dos adversários procurando modificar a percepção que eles possuem do seu jogo ofensivo, alterando as suas regularidades.
A sua vontade está vinculada a contextualizar cada inovação para fazer com que seja transcendente, assim como está consciente de que a aprendizagem vai mais além do que está preestabelecido, porque o novo, inevitavelmente vai acabar por surgir. 
Os jogadores do conjunto Inglês ao compreenderem que fazem parte do padrão de organização, mobilizam a sua inteligência constantemente, para além do que o treinador coloca no quadro táctico, para fortalecer a equipa no que diz respeito aos aspectos que não consegue controlar . 
Defender é muito mais do que responder perante a iniciativa ofensiva do adversário, que existem formas de construção da identidade defensiva, ligadas à criatividade. 

A INTERACÇÃO DOS INTERIORES NA ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA PERANTE A PRIMEIRA LINHA DE ATAQUE ADVERSÁRIA

Quando a equipa procura recuperar a posse de bola Guardiola procura implementar procedimentos defensivos que vão mais além do que a simples recuperação da posse. Pretende que o adversário não tenha sucesso no seu processo ofensivo e ao mesmo tempo colocar a equipa estruturada de forma que sejam aceleradas as situações de ataque. 
A defesa deixa de ser uma sub-fase do jogo para converter-se no próprio jogo já que considera que estas acções fazem parte do fluir natural do jogo. 
Os instantes sem bola não estão dissociados dos momentos com bola. Quem sabe por causa disso, dispondo os seus extremos em função daquilo que a equipa espera do jogo, eles movimentam-se em função daquilo que o jogo pede e procura prever o que vai acontecer no momento seguinte. Quando o adversário procura sair a jogar curto, os extremos colocam-se na mesma linha do ponta de lança para pressionar a primeira linha defensiva, ajustando-se aquilo que são as característica dos jogadores dessa primeira linha de pressão.
Existem outros momentos em que os extremos baixam no terreno de jogo, deixando que sejam os médios a subir a sua linha para fazer pressão nos centrais e laterais adversários.
Na figura 1 podemos observar como Sterling, Sané e Agüero dificultam a relação que o guarda-redes do Arsenal quer estabelecer com a sua linha defensiva, criando uma situação de 3x3.
Neste caso, os médios estariam colocados alguns metros atrás perto do eixo longitudinal do campo. 



Como todo o jogo está relacionado, em caso de recuperação da posse de bola os extremos e o ponta de lança seriam, concerteza as primeiras referências para o inicio do contra-ataque, enquanto que os médios poderiam ser os condutores desse processo.  
Jogadores como De Bruyne e Silva, que são excelentes na condução de bola e no passe, são um excelente complemento para a velocidade de jogo dos avançados do City, o que torna o processo de contra-ataque muito perigoso para os adversários. 
O ponto de partida do treinador é o jogador e as suas capacidades para jogar com os companheiros e com esse "tecido" de relações que determina a dinâmica da organização.
A perspectiva complexa devia fazer com que nos concebêssemos como geradores de contextos a partir de adquirir um pensamento que situe a informação no seu contexto natural. 


Na figura 2, do jogo para a liga dos campeões, contra a equipa do Nápoles, os extremos colocaram-se numa linha atrás em relação aos médios, que saltavam para pressionar a primeira linha de construção do adversário. 



SENTIMENTO PERMANENTE DE UTILIDADE


Ao conceber as ações sem bola como parte isolada do jogo, estamos a esquecer que o jogo é um continuum. Desse modo estamos a convidar o jogador a deixar de jogar se estiver longe da bola, ou se tiver sido superado pelos adversários. Uma visão sistémica do jogo ajuda o futebolista a perceber e a pensar que sempre pode colaborar em todos os momentos para o fluir do jogo. Ás vezes os jogadores que são ultrapassados não têm consciência  de que a sua actividade ainda não terminou, que a participação no jogo da equipa seria mais rico se estivesse colocado numa posição mais perto da bola, ou colocado numa posição estabelecendo com os seus companheiros alguma dinâmica colectiva. 


Figura 3 - Sané ataca por fora do campo visual do jogador em posse do Arsenal. 

Conseguir ocupar um espaço intermédio para assegurar o próximo passo em termos de transição ofensiva, ou atacar o campo visual morto do portador da bola, podem ser tarefas a realizar por parte daquele jogador que foi superado  ou que não cumpriu com as suas tarefas defensivas. Educar o jogador a ter estes hábitos multiplica o carácter solidário da equipa, sobredimensiona as capacidades volitavas ao introduzi-las a um âmbito da esfera intelectual. 
Intervir sobre as orientações do adversário com bola, compreender as possibilidades que ele possui em relacionar-se com os companheiros, para saber quando e como deve pressionar constituem bases importantes para conseguir o êxito defensivo. 
Os extremos do City cooperam com os laterais da equipa, para impedir que o adversário tenha vantagem numérica ou espacial. 







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